pela manhã caminhei pela osni ortiga. fazia um tempo que não animava para uma caminhada aqui em floripa… muito bom receber sol e ar livre, mas me incomoda tantas pessoas não usarem máscara em lugares públicos. teve um senhor que caminhava na contramão, sem máscara e ainda fazia questão de não ir para o lado correto enquanto encontrava com outros pedestres, eu inclusive. é pequeno, mas no momento parece que esse ser representa todos os males do planeta. respirar fundo e deixar pra lá… retornar a atenção para o que importa.
sempre aquela sabedoria: não quero chegar a nenhum lugar, pois o presente está presente.
eu caminhava em direção a casa de AN quando ví uma criança atravessando a praça. ela disse para outras com um sorriso no rosto: “nem escutei vocês, ahhhhh que pena!” todas riram juntas.
aceleração necessária para realizar tudo aquilo que se deseja.
ontem assisti aos dois primeiros episódios da série nokun txai – nossos txai, da produtora saci filmes. (livre para download aqui ou na amazon prime) fiquei extremamente tocado com a realidade de uma etnia que não conhecia, os Kuntanawa. o casal de anciões que os primeiros episódios apresentam são inspiradores por sua resistência e história de vida. vem sempre um mau estar quando aprendo sobre os abusos que a sociedade é capaz de gerar — ainda mais quando tão recentes. dá uma tremida no espírito, mas porque existe, é importante compartilharmos essas histórias. gostei muito da qualidade cinematográfica desses dois primeiros episódios, estou curioso para os próximos.
“ninguém visita impune uma aldeia indígena” – darcy ribeiro citado por carelli
não fui para ensinar, fui para aprender
alcoolismo e fome
sem fartura, não há festa. sem festa, não há sociabilidade.
criação CTI – centro de trabalho indigenista
é claro que o dinheiro era para financiar festa
disputa entre indigenista e antropólogo é um clássico 35:00
ref Andrea Tonnacci
os probleminhas de sempre “madeira, ouro, minério”
com a camera de video, os índios tomaram a frente
Álvoro Tukano — denuncia os salesianos na holanda. muito importante 41:30
“uma camera na mão e nenhuma ideia na cabeça” — vincent carelli — jogo com a célebre frase do glauber rocha.
inspiração na escola do jean rouch — ateliers varan — irmãos blanchet
aprendizado coletivo: assistir juntos o que cada um filmou, aprendendo com acertos e erros.
competição sadia
dinâmica do coletivo
não faço roteiro!
sou anti-roteiro, anti-cartilha
cinema de observação
desconstrução do modelinho de televisão
sem entrevista
um pouco coutinho, você vai na onda da pessoa
a escuta
o roteiro é negativo no processo de cinema mais direto
o imprevisto é sempre mais genial
atenção, observação, paciência
é proibido zoom e tripé
você quer um close, chegue mais perto. tem que construir a relação
só com essas orientações básicas, a coisa acontece
o filme se faz com a sinergia coletiva
muito jogo de cintura, muita diplomacia
questão de dinheiro sempre aparece, mas a grande virada é sempre o primeiro filme
digital melhorou muito. montar, traduzir e exibir na aldeia 53:00
o grande segredo é a forma como você se coloca na aldeia
a cartilha é essa, o resto eles dão
se você estiver escuta e dar corda, é fantástico 1h08m00
meu sonho é ter um arquivo e dar uma senha para cada etnia. 1h21m00
infelizmente não podemos confiar em organizações governamentais nesse país 1h28m
eu pensei que não tinha pior condição que os guaraní-kayowaa. porém Ujire é um soco no estômago. 1h31m
evangelicos…
é tudo reflexo dessa nossa crise civilizatória, desse capitalismo selvagem
acolhimento: as religiões vivem disso. a esquerda não disponibiliza isso.
ficção para indígenas: experimento segredos da mata — parece um teatro japonês 1h36m
sobre filme huni kuin
cada aldeia é um centro de mundo — frase de vincent que virou o título do arquivo, sugerido por marilia librandi
sergio bairon: teorizar e ir ao campo não dá! tem que emergir e construir as questões centrais juntos. inclusive em função deles, dos nossos parceiros e companheiros de pesquisa.
o que conseguimos fazer com nossas próprias faculdades? assumir tudo o que somos, podemos e desejamos. trabalhar com as limitações que a experiência traz. metamorfosear.
incapacibilidades transformadas em combustível para produção.
10h13 é interessante perceber que depois de ligar, é importante trabalhar para manter a força lá em cima. lá em cima é apenas uma forma de expressão. poderia chamar de ligado, potente, a todo vapor, sai da frente que o bicho tá doido.
11h06
é tão importante simplificar… ou melhor: é tão importante não complicar…
11h57
tudo em alegria fica bem melhor.
10.01.2021
20h41
fiz hoje uma foto com alguns trabalhos desses últimos dias.
terminei de assistir o maestro do wajda.
08.01.2021
meditação da morte
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o prazer de se criar
06.01.2021
assisti a uma live incrível sobre bandos.
vem num momento perfeito…
it can’t be too perfect, but it has to feel perfect
the issue of art history: you have to think about it if you are serious
i don’t know what art is and i thinki it should be like this
as a painter, the formal values are important
if it is too real, it is probably taxidermy. it is dead.
watercolor is a desperate medium
being a painter i can use any medium
get a gang and paint together
turn the cellphone off! no drawing from photographs
bring tension in a picture
what do you feel seeing the work?
of course painting is a dead object. an inanimate object. so you youself bring it to life. you enhance it with yourself. you are responsible for its life. the pleasure and joy of looking at painting can be endless.
ref william nicholson and morandi.
white: express infinity or be very immediate. amazing duality
paul thiebaud gallery website
“all good painting is cubist” — cubism: plane X volume
to copy art: a good way to get intimate and learn — to feel in your own body how to paint
about the experience of colors: it got more mysterious. study about history of colors in other cultures. west indian, japanese, chinese, mojavo indian…
aumentou a repercussão do caso da mariana ferrer. ainda bem. tristeza e repúdio a este caso que aconteceu aqui em floripa. fico imaginando quantas vezes situações parecidas ou nessa mesma direção acontecem e não vêm aos olhos públicos. estrupo culposo, mais uma surrealidade criada no nosso país.
e as eleições americanas continuam indecisas… lí em uma chamada: não importa que biden ganhe, os eua já saem perdendo por mostrar que a disputa foi tão acirrada. a supremacia branca com tanta força. o movimento de separação me parece tão anti-natural.
me identifico, eu também quero a lua!
(e por que não?)
mas gosto também de querer as formiguinhas e os ciscos que moram no chão.
quando preciso me diminuir para alcançar, agachar ou inventar uma delicada pinça com os dedos para senti-los, porque é frágil, me sinto tão pequena como eles.
tão curiosos e aleatórios, espalhadas por ali.
você já pensou sobre como vieram parar ali?
sobre como um passarinho cai de seu ninho?
e a lua, lá.
distante, branca, amarela, meia, cheia ou não.
eu vejo uma semelhança entre a lua e os seres que habitam o chão:
(estou falando sobre os mesmos seres que Manoel tanto vê)
lua e cisco, sempre causam uma impressão de potência, tanto faz se para maior ou menor.
jogando com as perspectivas, pensei:
tão grande como a lua, porque eu a vejo, a conheço e quero.
declaradamente vista, se as nuvens e prédios permitirem, é claro.
ela está.
e o cisco, ali.
devagar, dele e desinteressado do mundo.
tão pequeno como nada, mas que só pode ser visto por quem é tão pequeno como ele.
um olho concentrado, uma palma de mão e a pinça de dedos.
um som de passarinho, um casulo ou um furo.
o que enxerga o ser que habita o chão, é o meu lado miúdo; as vezes, menor que ele, quando me sinto intimidada.
nunca menor do que a lua, e nunca maior do que o cisco do chão.
não para medir grandezas, mas para ser inteira, reconhecendo os nossos vários tamanhos e alcances.
lá e ali.